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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Corchos Bistro y Boutique de Vinos - Uruguai


Nas férias, fomos para o Uruguai e, como era de se esperar, nos deparamos com ótimos restaurantes a um custo benefício interessante. Pratos bem feitos, cartas de vinhos ricas e ambientes agradáveis. Muitos deles, valem uma resenha ou indicação. É o caso do Corchos Bistro y Boutique de Vinos.

Apesar de termos ouvido falar bem, nós já tínhamos praticamente desistido de conferir o que a casa tem a oferecer, por causa dos seus horários alternativos: só abre de segunda a sexta, das 12:00 às 17h e na sexta também das 20h a meia noite.

Porém, após visitar duas vinícolas com o wine experience (super recomendamos o serviço, mas isso é assunto para outro post) fomos encerrar o dia de degustações por lá.

Como se espera de um Wine Bar, eles tinham cinco opções de vinho para se pedir em taças, uma carta completa à escolha do cliente e também opções de degustação com quatro ou cinco vinhos, ambos acompanhadas de petiscos.

Como já tínhamos feito duas degustações no dia, resolvemos pedir o vinho em taças e almoçar. Experimentamos umde Merlot, um Shiraz e um Tannat. Como era de se esperar, o tannat foi o vencedor da tarde.

Mais uma grata surpresa: Pedimos uma lasanha quatro queijos com legumes e um raviolle de brócolis com nozes, ao molho de tomate e presunto cru. Os dois de comer rezando.

O Corchos Bistro y Boutique de vinos fica na 25 de Mayo 651, Montevideo. A casa tem um ambiente descontraído, com atendimento atencioso. Saímos de lá com a certeza de que é preciso voltar (e voltamos!).

domingo, 14 de julho de 2013

Quinta do Vale Meão 2009


Ontem provamos o Quinta do Vale Meão, top da vinícola portuguesa homônima ao vinho. A simples presença deste ícone português em terras latinas suscita discussões (bastante pertinentes, ao meu ver) tais como o preço absurdo que os vinhos europeus chegam ao mercado sul-americano, ou contentas ideológicas que questionam se os melhores vinhos do chile e da argentina já rivalizam com os "super vinhos" do velho mundo.
No entanto, esse post não irá tratar de nenhum destes assuntos, mas de nossas impressões e comentários acerca deste fantástico vinho duriense.
Logo na abertura da garrafa achamos que o vinho já estava pronto pra beber. Claro que não cometemos tal heresia e esperamos o tempo necessário para decantação. No caso deste português, achamos que duas horas e meia é tempo suficiente. Na taça apresenta cor vermelho rubi, bastante opaca, com tonalidade violácea, o que denota certa jovialidade. Em outras palavras, se tivéssemos esperado mais alguns anos ele estaria ainda melhor, claro que o desejo venceu a retidão.
As primeiras impressões olfativas revelaram um aroma bastante aveludado. No primeiro momento predominância de baunilha e fruta madura em compota com notas de manteiga. Também pudemos perceber um aroma de cravo, logo de saída, o que é raro na maioria dos vinhos, onde o cravo aparece nos últimos estágios do seu desenvolvimento. Foi impressão geral que esse primeiro estágio lembrava muito "doce de pau de mamão". No segundo estágio adquiriu aroma de especiarias lembrando a noz moscada.
O aroma do Quinta convida à aventurar-se cada vez mais na tentativa de definir as diferentes sensações proporcionadas por ele. Só por essa razão, já justificaria a sua fama de "Barca Nova", apelido dado em razão de ser feito com as mesmas uvas utilizadas pelo icônico Barca Velha.
Na boca mostra-se um vinho de rara elegância, com a capacidade de aquecer o paladar. Persistência imensa e um delicioso retrogosto com baunilha e notas lácteas. Um detalhe que nos chamou a atenção é que a persistência alcoólica acompanha a persistência do sabor. Um vinho esplêndido!!


Vinícola: Quinta do Vale Meão
Região: Douro - Portugal
Uva: 57% Touriga Nacional, 35% Touriga Franca, 5% Tinta Barroca e 5 % Tinta Roriz
Safra: 2009
Graduação Alcoólica: 14%
Envelhecimento: 18 meses em barricas francesas.
Preço: R$ 404,00 - Mistral

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Ruca Malen Kinien Malbec 2007

Kinien, no idioma indígena Mapuche, significa "único". Para essa vinícola fundada em 1998, em Agrelo, em Mendoza, o Kinien representa o esforço na elaboração de vinhos que combinam potência e complexidade, que em geral marca as linhas da Ruca Malen - a propósito, é uma ótima vinícola para se visitar.

O Kinien Malbec é feito com uvas oriundas da região de Vista Flores, no Valle de Uco (há cerca de 200km de Agrelo), de vinhedos com média de 18 anos de idade. E ele passou 16 meses em barricas novas de carvalho francês, e mais oito meses em garrafa antes da venda.

Resultado é um vinho de extrema elegância e complexidade. No nariz, percebem-se uma diversidade de aromas, como alcaçuz, papaia, pimentão, cassis, tabaco. É um vinho de ótima estrutura, pesado, com lagrimas abundantes na taça e ótima persistência.

Tem acidez e taninos equilibrados, que o torna macio e fácil de beber. Com a evolução, o aroma ganha uma característica láctea, e no palato perdeu peso, ficando mais amortecido.

Esse é um vinho que se apresenta em camadas, bastante complexo, acalenta o paladar. É um dos melhores Malbec que já provamos aqui no Tomate Cereja. Quando encontrado em lojas brasileiras, costuma sair por R$ 160 a R$ 200, e vale a pena.

Produtor: Bodega Ruca Malen
Região: Valle de Uco, Mendoza.
Uva: Malbec 100%
Safra: 2007
Envelhecimento: 16 meses em barricas novas de carvalho francês.
Graduação Alcoólica: 14,2%
Preço: $ 230  (R$ 115, na Bodega Ruca Malen)

domingo, 9 de junho de 2013

Degustação vertical - Altos Las Hormigas

A Altos Las Hormigas é uma vinícola que, desde 1995, vem fabricando vinhos de grande qualidade e boa relação custo-benefício em Mendoza, na Argentina. Trabalhando unicamente com a Malbec, sua linha dispõe de vinhos de personalidade. Decidimos então fazer uma degustação vertical dos três vinhos mais básicos da Altos Las Hormigas. Essa "brincadeira", com rótulos adquiridos a preços animadores na Cadeg-RJ, custou cerca de R$ 150. Comprando separadamente em outras lojas, poderia não ser tão barato.


Altos Las Hormigas Clásico Malbec 2011

Esse vinho não passa por barricas de carvalho, e é produzido com Malbec de diferentes regiões de Mendoza: Lujan de Cujo (Perdriel, Agrelo y Vistalba) e Valle de Uco (Vista Flores, Eugenio Bustos e La Consulta). Por mais que a safra de 2010 receba melhores avaliações, essa safra de 2011 não fica muito atrás.

Apresenta forte aroma fruta vermelha madura e leve toque de especiarias, principalmente cravo. Ao final evolui com notas de tostado e chocolate. Na boca é aveludado, com taninos agradáveis, de uma jovialidade cativante. Corpo moderado, acidez equilibrada, e boa presença de álcool.

Produtor: Altos Las Hormigas
Região: Lujan del Cuyo e Valle del Uco, Mendoza.
Uva:
Malbec 100%
Safra: 2011Graduação Alcoólica: 14,1%
Preço: R$ 31 (Grife dos Vinhos, Cadeg-RJ)



Altos Las Hormigas Terroir Malbec 2010

Esse é um Malbec produzido com uvas da região do Valle del Uco. Tem aroma de fruta fresca, como mamão verde, e manteiga, mostrando-se ainda jovem e ligeiramente vegetal.

No palato, bom equilíbrio entre acidez e tanicidade, presença marcante. Na boca, uma grata surpresa, sparkles. Persistência moderada. Evolui com notas de caramelo. É um vinho muito gostoso e macio.

Produtor: Altos Las Hormigas
Região: Valle del Uco, Mendoza.
Uva:
Malbec 100%
Safra: 2010
Envelhecimento: indeterminado, em barricas de carvalho francês.Graduação Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 57 (Mundo dos Vinhos, Cadeg-RJ)




Altos Las Hormigas Reservé Malbec 2009

Esse Malbec vêm exclusivamente de antigos leitos de rios em Valle de Uco, em maioria do vinhedo de Vista Flores, que também produz o single vineyard premum da Alto Las Hormigas. Tal terroir combina terra trazida dos Andes com camadas de cascalho, que costuma produzir vinhos de grande qualidade.

Nesse rótulo, tais características se manifestam em um vinho escuro e opaco, com aroma preponderante de alcaçuz, pimenta rosa, muita fruta negra, suave madeira, com notas de leite condensado. No palato sente-se a potência das frutas negras. É concentrado, adocicado, levemente apimentado. Um vinho de grande estrutura, muito corpo, e bastante macio. Também uma ótima relação custo-benefício.

Produtor: Altos Las Hormigas
Região: Valle del Uco, Mendoza.
Uva:
Malbec 100%
Safra: 2009
Envelhecimento: 18 meses em barricas de carvalho francês, novas e de segundo uso.
Graduação Alcoólica: 14,4%
Preço: R$ 57 (Mundo dos Vinhos, Cadeg-RJ)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Casa Lapostolle: a produção do Clos Apalta

A Casa Lapostolle é uma daquelas vinícolas que já tornou-se lendária. Fundada em 1996 por Alexandra Marnier – dos proprietários do licor francês Grand Marnier – tem sua principal propriedade localizada em Apalta, uma microrregião do Vale de Colchagua, no Chile. O reconhecimento para a Lapostolle chegou rápido, e em 2005 seu principal vinho ícone, o Clos Apalta 2005, levou a premiação de melhor vinho do mundo da Wine & Spectator.

Terraço da Casa Lapostolle: são 190ha plantados em Apalta

Apesar de a propriedade Clos Apalta ser uma espécie de casa de veraneio da proprietária, que passa a maior parte do ano na França, é perceptível como todos ali estão comprometidos com a qualidade do trabalho. Em maio, já foram colhidas 3 das quatro castas produzidas em Apalta pela Lapostolle – Merlot, Cabernet Sauvignon, Petit Verdot e Carméneré – e há dezenas de pessoas trabalhando intensamente para produzir o reconhecimento desta vinícola no Clos Apalta e no Borobo (esse último tem como enólogo o francês Michel Rolland).

Dezenas de pessoas trabalham na seleção manual das uvas

A propriedade foi projetada para potencializar ao máximo a qualidade da produção que segue princípios de produção orgânica e biodinâmica. Incrustada numa rocha (para criar o ambiente ideal em temperatura e proteção), a instalação tem 6 andares.

Na visita, se conhece de perto o processo de seleção das uvas carméneré, que, sim, são selecionadas uma a uma, não é conversa ou (só) marketing. Todo o engaço e exemplares imperfeitos são cuidadosamente removidos, e sem lavagem – pois somente as leveduras já contidas nas cascas são utilizadas.

Toda a movimentação do vinho, desde o momento em que a uva é despejada nos tanques de carvalho de 7500 litros para a fermentação, é feita usando a força da gravidade. Cada cepa para produção do Clos Apalta e do Borobo desce pro gravidade diretamente para as barricas novas (eles utilizam carvalho francês de várias regiões e níveis de tostado, para conseguir nuances diferentes), onde repousam por 12 meses.

Para os nerds de plantão: o vão da propriedade tem uma escada circular que é inspirada no formato de uma taça, e que tem ao centro um pêndulo de Foucaut.

Sala para repouso das barricas e degustação

No andar abaixo, os enólogos trabalham na construção do blend ideal para cada safra, e (também por gravidade) o produto volta novamente para as barricas por mais um ano, repousando naquela é que uma das caves mais bonitas que já vi.



A mesa de degustação, toda em vidro, é ainda um alçapão para onde se encontra a adega privada da família. Por ser construído junto à pedra e com iluminação cuidadosa, o ambiente está sempre entre 13ºC e 15ºC.

Na cave fazemos ainda a degustação de três vinhos, entre eles tive a oportunidade de comprar o famigerado Clos Apalta, além de um Curvée Alexandre Merlot e um Casa Sauvignon Blanc. Acho digno degustar um grande vinho da vinícola, mesmo que seja um pouco mais caro, portanto, e selecionado o tour. Na Lapostolle, sai por $20.000 (R$80), enquanto em outras vinícolas, algumas delas mesmo sem provar nenhum vinho premium, fica entre $10.000 e $15.000.

Sobre os vinhos da Lapostolle, confira o site da vinícola as resenhas aqui do Tomate Cereja.

Casa Lapostolle
Endereço: Ruta I-50, Km 36, Cunaquito, Santa Cruz, Chile.
Telephone +56-72 953 300
E-mail: info@lapostolle.com.

Viu Manent El Olivar Single Vineyard Syrah 2008

Essa edição limitada de single vineyards da Viu Manent se propõe à produção de vinhos complexos e marcantes, a partir de vinhas com baixo rendimento no Vale de Colchagua. Nesse vale, curiosamente se obtem uma boa produção de syrah nas encostas de morros, e com o El Olivar não é diferente, pois ele é produzido com uvas de vinhas localizadas nas ladeiras de  Peralillo, com solo pouco profundo e de fertilidade média.

O resultado é um vinho com aroma fresco e intenso de cereja, combinado com bastante especiarias e de defumado, com notas de tostado e chocolate. No paladar, entrega um complexo sabor de fruta vermelha em compota, chocolate e tostado, com acidez agradável, que vai diminuindo na medida em que vão ficando mais presentes notas de pimenta preta. Apresenta-se muito concentrado, e com boa persistência e retrogosto um ao mesmo tempo apimentado e um pouco adocicado.


Produtor: Viu Manent
Região: Vale de Colchagua
Uva:
Syrah 94% e Petit Verdot 6%
Safra: 2008
Envelhecimento:
18 meses em barricas novas
 Graduação Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 179 (CLP 15.000 - R$ 60 na vinícola).


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Santiago - Baco: para os amantes do bom vinho

Com o mercado cada vez mais receptivo aos vinhos chilenos e o aumento do número de turistas em Santiago (em especial, dos brasileiros, que nos últimos anos um dos públicos mais importantes) não é de se espantar que a maioria dos restaurantes no Chile tenha uma carta de vinhos decente. Contudo, ao procurar um local para provar vinhos premium com iguarias culinárias em Santiago, frequentemente se esbarra com dois entraves. Primeiramente, o preço por vezes chega a ser desencorajador e há pouca oferta e variedade de vinhos por taça, forçando a tomar uma garrafa inteira -- o que pode a ser um problema (ou não...) para almoçar sozinho.

 Pois bem, se você procura um local com boa culinária mas que tem como estrela os vinhos, o restaurante Baco é uma ótima opção. Muito bem localizado no Bairro da Providência, entre a estação Los Leones e o Parque das Esculturas (Rio Mapocho), o restaurante tem um ambiente muito agradável, muito em sintonia com o tema do lugar, combinando rústico e moderno.

Quando comparado com a grande maioria dos restaurantes, onde o preço da garrafa de vinho chega a dobrar (ou mais) com relação ao supermercado, o Baco surpreende. A carta tem mais de 200 opções. O diferencial é uma carta de vinhos excelente com diversas opções de vinhos por taça, alguns dos melhores chilenos, que ficam estratégicamente dispostas em quadros negros, para que se possa decidir qual a próxima opção etílica sem precisar pedir o menú. Cheguei e antes de decidir o que comer fui logo pedindo uma taça do excelente Amayna Syrah 2010. Sparkles, sparkles...


Como entrada, vieram torradas, bem temperadas mas muito secas só com a manteiga para acompanhar, creio que poderia ser melhor.

Com o vinho já definido, uma carnevermelha era a opção lógica. O Baco inspira-se na culinária francesa, mas com várias opções de preparo que lembram uma boa parrillada da patagônia. Fui de Côté de Cerdo com tomates assados e purê de batatas ($ 7600 - R$ 31). A carne tem uma textura muito boa, e ponto exatamente como havia pedido.

Pedi ainda outra taça de vinho, também muito bom Viña Altair Sideral 2008, eleito pelo Guia Descorchados como melhor assemblage chileno em 2012. Como sobremesa, um crème brulée com frutas da estação ($ 3600 - R$ 15) que estava bom, mas não cair o queixo.

Ao final, a conta ficou em torno dos R$ 80, e não fosse pelos vinhos (que sim, valem muito a pena) teria ficado a metade. Cabem ainda duas ressalvas: o Baco não parece ter um website, e as reservas -- é sempre bom garantir -- precisam ser feitas sempre por telefone.


Restaurante Baco
Estilo: culinária francesa e vinhos
Endereço: Nueva de Lyon 113, Providencia, Santiago.
Telefones: +56 22314444
Horário de atendimento: Domingo a terça das 12h às 02h.
Trilha sonora: standards de jazz e clássicos de rock




Amayna Syrah 2010 (Viña Garcés Silva)

A vinícola da família Garcés Silva é localizada no Vale de Leyda, região produz alguns dos melhores vinhos brancos do Chile. Apesar de ter entrado no mercado apenas em 2002, essa novata já produz alguns dos rótulos chilenos mais respeitados, o Amayna. Além dos vinhos brancos, a Viña Garcés Silva faz vinhos com Pinot Noir e Syrah nesse clima temperado e próximo ao Pacífico, que lhes confere características distintas.

Esse Amayna Syrah 2010 é um vinho com concentração impressionante, e cor violeta intensa. Tem um aroma floral e de amora, com notas de baunilha e alcaçuz, com um leve toque de especiarias. No palato se mostra muito encorpado e potente, com taninos amortecidos e boa acidez, quase licoroso. Álcool bastante presente Tem uma grande persistência na boca, com retrogosto onde prevalecem especiarias, bastante agradável. É um vinho que certamente harmoniza muito bem com carne de porco e carne vermelha.


 Amayna Syrah 2010
Viña Garcés Silva
Região: Vale de Leyda
Uva: Syrah
Safra: 2010
Envelhecimento: 70% em barricas novas e 30% de segundo uso, por 12 meses

Graduação Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 109 (Mistral)

sábado, 11 de maio de 2013

Matetic Corralillo Pinot Noir 2010

Algumas vezes ouvimos falar de métodos de manejo orgânico de videiras com uma certa dose de suspeita. Geralmente tais vinhos precisam ganham minha confiança, e certamente foi o que ocorreu com esse Corralillo Pinot Noir 2010.

Produzido pela Viña Matetic, um dos expoentes na nova vitivinicultura chilena, tem umas provenientes de dois dos vinhedos orgânicos gestão mais antigos cultuvados no Valle de San Antonio. Os solos são de baixa fertilidade e são muito próximos ao mar, o que dá aos seus vinhos um caráter particular.

Esse pinot noir tem um aroma potente de mirtilo, fruta madura, notas cítricas e uma certa "picância" (na degustação não ficou claro entre os convivas se tratava-se de pimenta ou pimentão). Sabor leve com muita fruta madura, boa acidez, persistência média, ótima acidez e taninos macios.

Tem um retrogosto frutado (verde) que caminha para um amadeirado. É um vinho que desce macio, muito fácil de beber!

Produtor: Viña Matetic
Região: Valle de San Antonio
Uva: Pinot Noir (100%)
Safra: 2010
Envelhecimento: 11 meses em barricas francesas
Graduação Alcoólica: 14,5%
Preço: R$ 95,00 (Gran Cru), na vinícola saiu CPL8000.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ecos de Rulo Carménère 2008

Esse foi um vinho que ganhei após uma boa compra na Mundo del Vino, uma rede de lojas de vinho em Santiago.

A Bisquertt é uma vinícola fundada em 1975 após a nova legislação vitivinícola chilena, na região do Valle del Colchagua.

Este interessante carménère apresenta um buquê curioso, onde aromas de frutas vermelhas maduras misturam se com notas de casca de laranja, pimenta negra e, com a evolução, um toque sutil de madeira.

Na boca, percebe-se robustez moderada, com boa acidez e taninos suaves. Com a evolução no decanter adquire um retrogosto persistente e agradável.

Produtor: Viña Bisquertt
Região: Vale de Colchagua
Uva: Carménère
Safra: 2008
Envelhecimento: 10 a 12 meses em barricas
Graduação Alcoólica: 14%
Preço: R$ 68, em torno de CLP8500 na Mundo del Vino de Santiago

sábado, 13 de abril de 2013

Chateau Villemaurine Grand Cru Classé 2004

É a vez do nosso primiero vinho francês no Tomate Cereja! E não se trata de um vinho qualquer. O Chateu Villemaurine é produzido em Saint-Émilion, na aclamada região francesa de Bourdeaux, em uma propriedade de 7 hectares com vinhas de 30 anos. Esse chateau existe desde o século XVIII, sendo um dos 47 produtores reconhecidos atualmente como Grands Crus Classés, e utiliza nessa safra de 2004 um corte clássico da região.

Possui cor rubi intenso e deliciosos aromas de madeira, compota de pêra, tabaco e chocolate. Evolui com muita banana, notas de baunilha, anis e pimenta. Na boca é seco e sedoso, com boa estrutura e acidez, taninos finos e bem domados. Tem um final muito prolongado. Um grande vinho, que merece ser saboreado na companhia dos amigos.


Produtor: Chateau Villemaurine
Região: Saint-Émilion
Uva: 85% Cabernet Sauvignon, 10% Merlot, 5% Cabernet Franc
Safra: 2004
Envelhecimento: 18 meses em barricas de primeiro e segundo usos
Graduação Alcoólica: 14%
Preço: € 45 (Duty Free CDG)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Castillo de Molina Shiraz 2007

Sabemos que um vinho não precisa ser caro para ser bom, e muitos vinhos do "novo mundo" são verdadeiros achados em termos de relação custo benefício. Se quiserem um bom exemplo, basta conferir o Castillo de Molina, que é a série "reserva" da Vinã São Pedro. Fundada em 1865, é a segunda maior vinícola chilena e fabricante do Gato Negro, bastante famoso no Brasil.

Todos os Castillo de Molina que já provei foram muito bons, mas para mim este Shiraz 2007 se destaca, não apenas porque é uma cepa que vem me cativando cada vez mais, como pelo fato de que está plenamente pronto para beber.

Feito com uvas provenientes do Vale do Maule, apresenta uma coloração violeta intensa. Temos um Shiraz bastante potente (lembrando que há 10% de Cabernet Sauvinon no corte), com aroma marcante de ameixas e amoras, notas de especiarias, amadeirado e chocolate. Evolui para pimenta e tabaco.

Na boca, mostra-se encorpado, redondo, entregando muita fruta e notas de pimenta preta, bem integradas com carvalho. Com taninos moderados, que vão ficando mais amortecidos conforme evolui no decanter. O final é persistente, e nos faz querer continuar bebendo.

Na maioria das lojas já não se encontra essa safra de 2007, mas é possível encontrá-la em alguns sites de vendas especializados. Se você se deparar com a safra de 2009, saiba que ela não leva Cabernet Sauvignon na mistura, e sim 2% de Petit Verdot. Também será uma ótima aquisição, da qual falaremos no futuro aqui no Tomate Cereja.

Produtor: Viña San Pedro
Região: Vale do Maule
Uva: 90% Shiraz, 10% Cabernet Sauvignon
Safra: 2007
Envelhecimento: 10 meses em barricas de primeiro e segundo usos
Graduação Alcoólica: 14%
Preço: R$ 28,00 - Cadeg

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Surazo Reserva Cabernet Sauvignon 2003


Terça feira monótona e chuvosa. Amigos do Blog (e fora dele) reunidos para um bate-papo. Pedimos uma pizza mesmo e, de repente, um verdadeiro achado! Todos ficamos encantados com o Surazo Reserva CS 2003. Não por ser um vinho excepcional, mas pela excelente relação custo benefício, ainda mais se tratando de um vinho com dez anos, e por nos tirar do "lugar comum" da maioria dos bons vinhos chilenos. Devo dizer que este lugar comum ao qual me refiro é um excelente lugar, onde adoraria estar com maior frequência até do que tenho estado.
Mas falando do vinho, é um dos principais rótulos da pouco conhecida Viña Santa Mônica, que se localiza no Vale do Rapel e sofreu consideravelmente com o grande terremoto que abalou o Chile em fevereiro de 2010. Talvez por essa razão, seus produtos tenham desaparecido do mercado brasileiro, e as garrafas restantes tenham caído de preço com o passar do tempo.
Poucas vezes eu comento sobre a coloração de um vinho, por achar que as sutis diferenças de tonalidade são difíceis de discernir e pouco acrescentam ao leitor. Mas este Cabernet chama a atenção pela coloração alaranjada da sua coroa, típica dos vinhos em processo de oxidação. Este processo, natural nos vinhos que permanecem bom tempo em garrafa, tende a "amaciar" os taninos e tornar o vinho adocicado e amadeirado. 
Seu aroma, no início, apresentava-se terroso e vegetal, após 40 minutos no decanter melhorou sensivelmente, entregando serragem, cravo, alcaçuz, ameixa e notas de caramelo.
No palato se mostrou adocicado e levemente amadeirado, como previsto, no entanto sua potência se conservou praticamente intacta, revelando um vinho estruturado e tânico. Álcool bastante presente, com bom equilíbrio com a fruta, corpo médio e boa persistência. Após bom tempo aberto, como a maioria dos tintos, apresentou toques de cravo no retrogosto. Se você encontrar uma garrafa dessas por aí pode comprar!


Produtor: Viña Santa Mônica
Região: Vale do Rapel
Uva: Cabernet Sauvignon
Safra: 2003
Graduação Alcoólica: 14%
Preço: R$ 27,00 - CADEG

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Concha y Toro Winemaker's Lot 148 Carmenère

Quando eu e minha esposa fomos ao Chile, há exatamente um ano, um dos guias de turismo anunciava repetidamente uma dica para escolher um bom vinho: carmenere, safra 2007, em torno de 5000 pesos chilenos. Esses características se encaixam perfeitamente nesse Concha y Toro Winemaker's Lot 148 Carmenère.

Graças à “La Niña”, 2007 foi um ano mágico para o amadurecimento das uvas chilenas, e esse rótulo, elaborado com vinhas do Vale do Rapel, tem uma cor rubi profunda e lágrimas densas. A impressão inicial é um aroma vegetal muito agradável, meio ferroso, marcado por fruta vermelha. Evolui para notas defumadas e amadeiradas.

No palato, percebe-se bom corpo, taninos suaves e redondos. Mal percebe-se a presença do alcool. Tem uma persistência muito boa, com um retrogosto excelente de ameixa. Evolui para um gosto mais lácteo, sempre agradável e equilibrado.

Se a intenção era elaborar um vinho "fácil de beber", com esse Winemaker's a Concha y Toro acertou em cheio. Muito gostoso, pronto para beber, ótima relação custo-benefício. Não é atoa que o Sr. Robert Parker lhe deu 90 pontos.

 
Vinícola: Concha y Toro
Região: Vale do Rapel - Chile
Uva: 100% Carmenère
Graduação Alcoólica: 14.5 %
Envelhecimento: carvalho francês, 1º, 2º 3º usos, tempo variável (encontrei essa referência num site estadunidense, não é oficial)
Preço: R$ 51 (Bergut) 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Meandro do Vale Meão 2009


Mais de 500 anos depois de Portugal "descobrir" o Brasil, nós do Tomate Cereja começamos a descobrir os vinhos portugueses. E o nosso primeiro achado vem direto do Douro, região vitivinícola mais famosa dos prados lusitanos, lar das melhores quintas do país. Por falar em melhores quintas, o Meandro 2009 é produzido pela Quinta do Vale Meão, que atualmente detém o melhor vinho português do mercado, o vinho premium que leva o nome da Bodega e para alguns chega a rivalizar com o lendário Barca Velha.

O Meandro do Vale Meão 2009 foi apelidado de Mini-Meão, por ser produzido com as mesmas uvas que seu "irmão mais velho", e estagiar nos mesmos barris que o Quinta. Apresenta aroma de maça verde no início, evoluindo para especiarias e notas de iogurte e mel. No auge da evolução entrega aroma de frutas vermelhas, mirtilo e pimentão. Sabor bastante fresco com destaque para maçã verde e pimentão. Um longo final lácteo com notas vegetais completa o conjunto. Tem lágrimas abundantes e álcool bem pronunciado, como a maioria dos portugueses. Excelente persistência! À guisa de curiosidade, este vinho é pisado à pé. Sim! Aquela forma antiga de vinificação onde pessoas pisam as uvas. Alguns vinhedos de Portugal ainda utilizam esse método. Minha esposa disse que eu deveria ter avisado antes de bebermos!


Vinícola: Quinta do Vale Meão
Região: Douro - Portugal
Uva: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca e Sousão
Safra: 2009
Graduação Alcoólica: 14%
Envelhecimento: 10 meses em barricas francesas de 2º Uso.
Preço: R$ 124,00 - Mistral

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Casas del Bosque Gran Reserva Pinot Noir 2008

Como já disse por aqui, tenho uma preferência pela Pinot Noir que, sempre testada por excelentes rótulos de outras castas, tenta se manter. Tal predileção se renova com esse Casas del Bosque Gran Reserva. Fabricado por uma das melhores vinícolas produtoras do Vale de Casablanca,  no Chile, esse é um Pinot Noir de uma ótima safra, e com maturação excelente na garrafa, que foi presente do amigo Carlos Rosa.

É, sobretudo, um vinho muito gostoso, licoroso, fresco e com muito caráter. Tem uma coloração rubi intensa, bastante escura para um Pinot filtrado. Tem um aroma onde predomina as frutas, tanto vermelhas quanto as cítricas, assim como notas lácteas, vegetais e terra úmida, evoluindo para especiarias.

No palato, é um vinho bastante cítrico, mas cuja acidez combina bem com taninos presentes, mas amortecidos. É um vinho muito agradável e fácil de beber, especialmente acompanhado de salsichas de vitela, como foi o caso.

Vinícola: Casas del Bosque
Região: Valparaiso, Chile
Uva: 100% Pinot Noir
Safra: 2008
Graduação Alcoólica: 14,5%
Envelhecimento: 11 meses em barricas francesas.
Preço: entre R$ 65 e R$ 80

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Arboleda Cabernet Sauvignon 2009


Quando minha esposa e eu estivemos no Chile em 2009, em comemoração pelo nosso aniversário de casamento, fomos a loja Mundo del Vino comprar o famoso Dom Melchior para nós e para os amigos, é claro. O vendedor nos ofereceu "un regalo" e pediu que escolhessemos um vinho até certo valor. Eu escolhi o Arboleda Carmenére 2006, porque já ouvira falar bem dele, mas não tinha grandes expectativas...
Quatro anos depois o vinho escolhido para comemorar mais um aniversário de casamento não poderia ser outro, se não a versão 2009 deste que se tornou o "nosso vinho", meu e de minha esposa.
O Arboleda Cabernet Sauvignon 2009, como todas as outras versões deste ícone da Vina Sena, é espetacular! No aroma predomina um delicioso caramelo tostado, açúcar mascavo, ameixa, cassis e notas de chocolate e maça verde. Na boca uma verdadeira sinfonia crescente de sabores como cravo, fruta vermelha madura e madeira. Álcool na medida certa e ótima persistência. Um dos vinhos que melhor integra o amadeirado do carvalho com os aromas e sabores de fruta.

Vinícola: Vina Sena
Região: Colchagua - Chile
Uva: Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Syrah
Safra: 2009
Graduação Alcoólica: 14%
Envelhecimento: 12 meses em barricas francesas.
Preço: R$ 90,00 - CADEG

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Nederburg Pinotage 2010


Corro o risco de ser tendencioso ao postar sobre uma uva que admiro pela sua singularidade e radical diferença em relação à maioria das demais vitis viníferas. Estou me referindo a Pinotage. Cultivada com sucesso apenas no terroir da África do Sul, foi o resultado de um cuidadoso processo de cruzamento entre as uvas Pinot Noir e Cinsaut. Seu reconhecimento mundial aconteceu em 1959, quando um vinho feito a partir da Pinotage, ganhou uma competição nacional.
Este Nederburg foi um dos primeiros rótulos de qualidade a aparecer no mercado brasileiro. Certamente ainda precisa evoluir bastante para se tornar páreo para as grandes e célebres uvas francesas, mas mostra-se como uma boa opção para aventuras em territórios diferentes. Especialmente por esse preço!
Apresenta aroma muito lácteo, terroso e com bom toque vegetal. Um leve aroma de oxidação incomoda olfatos mais sensíveis. Ao evoluir entrega notas de especiarias.
Na boca é estruturado, pouco complexo, com taninos bem marcados, alcoólico no palato, mas sem incomodar, com final também tânico e lácteo.

Vinícola: Winemasters
Região: Western Cape
Uva: Pinotage
Safra: 2010
Graduação Alcoólica: 14,1%
Envelhecimento: 8-12 meses em barricas de 2º uso.
Preço: R$ 30,00 - CADEG

sábado, 12 de janeiro de 2013

Bodega Del Fin del Mundo Special Blend 2007

A Bodega del Fin del Mundo é a maior bodega da região da patagônia, uma empresa que tem grande preocupação com qualidade e marketing, e que rapidamente conquistou seu lugar no mercado argentino e international.

Esse Special Blend é o principal rótulo da Bodega e, assim como o nome de seu restaurante em Buenos Aires, é uma "experiência" -  a começar pela garrafa, extremamente imponente e bela.

A combinação de Cabernet Sauvignon, Malbec e Merlot resulta em mudanças de aroma e sabor impressionantes e inusitadas. Logo ao abrir exibia aroma mentolado, tanto na rolha quanto na garrafa. Após uma hora no decanter, entregava aroma de açúcar mascavo, maracuja, cravo, melaço e notas de banana e pimentão.

Na boca um vinho complexo e agradável, com taninos bem macios. Apresenta nuances de banana e pimentão, evoluindo para um sabor marcado por cravo e especiarias. Curiosamente, após mais 20 minutos, retorna ao gosto de banana, mais açucarado e sedoso. Boa persistência. Um excelente vinho, com várias camadas de sabor e aroma.

Vinícola: Bodega Del Fin del Mundo
Uva/Corte: Cabernet Sauvignon 40%, Malbec 40% e Merlot 20%
Safra: 2007
Graduação Alcoólica: 14,5%
Envelhecimento: 18 meses em carvalho francês.
Preço: AR$ 200 (R$ 90) - Experiencia del Fin del Mundo

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Santa Ema Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2008




Este Cabernet Sauvignon da Isla de Maipo recebeu 90 pontos do crítico Robert Parker. Logo após ser aberto começa a surpreender ao apresentar aroma de frutas cítricas! Com mais tempo no decanter evolui para um aroma de frutas vermelhas, baunilha, notas de menta e pimenta, e um leve tostado.

No palato é sedoso, abaunilhado, com taninos bastante amortecidos e final de boca médio. Um cabernet que parece merlot! Ótima indicação para quem gosta de Cabernet Sauvignon levinho. Embora tenha algo de único, não se destaca em relação ao outro vinho da Santa Ema, o Merlot que já resenhamos aqui no Blog, que realmente é bem melhor.

Vinícola: Santa Ema
Região: Valle del Maipo
Composição: Cabernet Sauvignon
Safra: 2007
Graduação Alcoólica:14%
Preço: R$ 52,00 - Mundo do Vinho (Cadeg)